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andre L.R. mendes 

 

 

O baiano andre L.R. mendes se define, antes de tudo, como compositor. mas sua produção vai muito além...

 

Filho de uma casa onde sempre se ouviu e tocou muita música, andre iniciou sua carreira em meados dos 90 do século passado na banda de rock Maria Bacana, que foi descoberta e lançada pelo selo Rock it! do guitarrista Dado Villa-lobos ( Legião Urbana ) e ficou conhecida pela “música da coca cola sem gás”, “Repeat, Please!” que teve clipe em alta rotação na MTV BR e nas rádios rock de todo o país. Todas as musicas desse disco são composições de andre.

 

Apesar de “quase chegar lá” ( a banda chegou a ser artista revelação da revista Bizz em 1997 ), a Maria Bacana não teve continuidade em sua trajetória por diversos motivos muito comuns às histórias de bandas que não deram certo: integrantes que saem, morar longe dos grandes centros quando isso era um entrave intransponível...e a banda encerra suas atividades no inicio dos anos 2000.

 

andre passa alguns anos tocando com amigos até que decide em 2011 lançar seu primeiro disco solo “Bem-vindo à Navegação”. 

 

Por ser um compositor hiperativo, andre decide lançar um álbum por ano, o que faz de 2011 à 2016, quando resolve parar essa sequência anual por um motivo nobre: um novo disco da Maria Bacana pra comemorar os vinte anos de lançamento do disco de 1997. Nesse disco novamente andre assina todas as composições.

 

Em 2019 andre gravou um novo disco solo “O Rei dos Animais” num grande estúdio de Salvador ( WR ), com previsão de lançamento pro primeiro semestre de 2020...e então chega a pandemia do coronavírus e esse projeto entra no pause por tempo indefinido dada a necessidade do isolamento social e, com isso, o fechamento do estúdio.

 

andre decide então, pra escapar do sentimento de tempo perdido e frustração de ter um disco pronto e não poder lançar, gravar em casa, com os recursos que dispunha ( uma guitarra, um violão, um microfone e um Ipad ).

 

Em 2020 andre lançou uma série de singles que foram compilados no album "Manda Notícias" no mês de Novembro, sendo muito bem recebido pelo público e pela crítica.

 

Mas o desejo de criar não o deixou parar por muito tempo de compor e registrar novas canções. Logo em Janeiro de 2021 andre já estava compondo novas músicas...até agora já foram cinco compostas e gravadas pelo artista pro projeto de um disco à ser lançado no segundo semestre...uma primeira canção , “Beatriz”, foi lançada no início de Abril e é o single mais ouvido de toda carreira do cantor.

 

Agora andre lança a segunda mostra do futuro álbum, o single ”O Samba do Homem Comum”.

 

”O Samba do Homem Comum”, que versa sobre a ”Uberização” das relações de trabalho, veio num sonho; ”Ele não tem jeito, de olhar mais verdadeiro, sonhava em ser sujeito e era só mais um”...essas primeiras frases da canção vieram exatamente assim, junto com a melodia num sonho do compositor que acordou e foi registrar a ideia.

 

Ao voltar à composição, andre decidiu que a canção falaria sobre um tema extremamente atual: a precarização das relações de trabalho, conhecida como ”Uberização”, onde direitos trabalhistas são substituídos por escorchantes maratonas de trabalho nas quais o sujeito se vê na obrigação de ”performar” como um ”super trabalhador” que corre pra fazer entregas no mínimo de tempo ou chegar o mais rápido possível, no caso dos motoristas de aplicativo, ao encontro dos clientes, sempre preocupado com a “qualificação” que será dada depois do serviço prestado...uma verdadeira “roda viva” de correria, neurose, qualificações, baixa remuneração e zero de direitos trabalhistas.

 

O sujeito da canção se chama ”Riobaldo” ( não por acaso, homônimo ao personagem narrador do romance ”Grande Sertão: Veredas” de João Guimarães Rosa ), que corre no meio do trânsito com a sua bicicleta para realizar as entregas de algum aplicativo, na maior velocidade possível pra não desagradar o ”cliente” e não ganhar uma “qualificação ruim” junto ao app e perder a sua “tábua de salvação” na sua anônima luta diária pra ter uma fonte de renda numa sociedade predatória que, muitas vezes, nem o enxerga como um cidadão.

 

Como andre não quis jogar fora as frases que chegaram no sonho, a saída foi mudar claramente da 3ª pra 1ª pessoa o sujeito da narrativa...inclusive no final da canção o sujeito muda novamente pra 2ª pessoa pra demonstrar que, nessa progressiva precarização das relações de trabalho, o próximo afetado será o ouvinte da história.

 

“O Samba do Homem Comum”, contrariando o título, não é um samba...não na sua totalidade...se trata de um Rock moderno com base numa composição inspirada na forma clássica da MPB, em que a letra, melodia e harmonia juntas formam o que existe de mais importante no fonograma. No final da canção, uma surpresa: o refrão vira um tipo de “Samba de Roda” ( gênero musical característico do recôncavo baiano ) triste, que finaliza a canção em “Fade Out” caracterizando que a “roda viva”, da bicicleta do personagem e da precarização das relações de trabalho continuam e continuam...

 

Mais uma vez, andre faz tudo na "linha de produção" da canção: composição, produção, arranjo, gravação, toca todos os instrumentos e canta, faz a mixagem e masterização.

 

 

andre faz tudo nessa linha de montagem: da composição à capa do álbum, cantando, tocando, produzindo e fazendo videoclipes...trabalhando sozinho, nas palavras dele “como um escritor”.

 

Pra andre, o que mais interessa é a beleza da canção, essa forma clássica de fazer música popular: letra, melodia e harmonia...o sentimento e a entrega são mais importantes que arranjos mirabolantes e hyper editados: o que interessa é se comunicar com beleza, melodia, leveza e lucidez.

 

 

                                      contato: andremendes.mail@gmail.com